
Paulo Coelho, Harry Potter, Morgana (Castelo Rá-tim-bum), Gargamel (Smurfs), Gandalf (Senhor dos Anéis), Madame Min, Maga Patológica, Merlin, Bruxa do 71 (Chaves), Morgana (irmã do Rei Arthur), Samantha
Imaginem uma pessoa que em seu caminho já percorrido teve muitas horas sentada em bancos escolares, já leu muito, já ouviu muito, já viu muitas coisas, viveu muitas horas de ignorância, de estudo, e em diferentes lugares.. Já se relacionou também de várias maneiras e em diferentes níveis, com tanto de si e o 'tanto' de muitas pessoas.. Umas simples, outras que acreditam ter o poder do mundo em suas teias ou mãos, com aquelas raras que sabem dividir (tem parceria melhor?), com as que gostam de ouvir, ver e aprender, com as que cultivam sentimentos tão bons que embalam lembrá-las; e as que se vestem com sentimentos menores como inveja, cobiça, etc; com as que não tiveram seu saber institucionalizado e com aquelas ainda que vivem e produzem em cima do ensinar, recompor, enfim.. "na alegria e tristeza" do script de Deus, de si, dos seus.. Imaginem uma pessoa que viveu, vive e preza tudo isso como aprendiz sedenta nesta multiplicidade da vida.. Prazer! Mas será que podemos dizer que todo este conhecimento trouxe ou traz à alguém o que chamamos de SABEDORIA da vida?
Diria que, qualquer pessoa que chegue à conquistas como estas foi somente porque desenvolveu um sentimento básico em sua trajetória: a HUMILDADE. Um sentimento necessário para observar tudo e olhar à todos vendo-os, vendo-se, já que SABEDORIA não se aprende com regras nem livros. Ser sábio ou possuir a tal da sabedoria é muito diferente de possuir conhecimentos. O caminho das ciências e dos saberes é o caminho da multiplicidade, da eterna busca, pois sempre existe algo novo, algo diferente, latente e que "nos late"... livremente. Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas; aliás, neste mundo dos saberes, dos livros, de somas sem fim, poderia ser diferente? É um caminho sem descanso para a alma porque a SABEDORIA é cobrativa, perspicaz, é muito mais que mil sinônimos porque é exercício de observação, da calma, do entendimento, da busca, da negação à maldade - como bem o diz Rubem Alves, no seu livro 'Concerto para corpo e alma': “ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem; mas só domina essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples!“
A simplicidade caminha paralela à sabedoria e tem como resultado desta equação o 'bem viver' e o 'saber escolher'... O ser humano que chega ao status de sábio é aquele que no meio desse “embolar” da vida, soube escolher o prato que lhe dará prazer e felicidade, pois “nascemos para a alegria”, diz Bachelard.. E feliz de quem alcança tal entendimento.
Sábio é o ser de gosto mais apurado, aquele que sabe degustar, distinguir, discernir, ouvir seus sentimentos e viver com alegria. Quando buscamos no fundo da alma, em cavernas de nossas memórias, em cenários, lugares ou momentos que nos fizeram sorrir.. encontramos no sentimento chamado saudade as coisas mais simples.. algumas até são as mais bonitas em nós, como ao ouvirmos um “eu te amo” espontaneo, por exemplo, sem esperar, numa "viagem" com quem gostamos.. Percebe-se um olhar, um afago, um gesto, um abraço, um beijo, um acontecimento parecido com o daquele cachorro de estimação pulando em nosso colo e 'arfando sorrir'-nos ao chegarmos; parecido talvez, com o olhar do filho adormecido no berço, o contemplar da chuva caindo nas plantas, o observar a beleza da lua num olho recíproco, um encontro ou reencontro com alguém querido em inesperado momento, certo inesquecível caminhar de mãos dadas, um bom amor, um bom amigo, um "eu confio em você" ou "conte comigo" independente de.. ah!, indizíveis sensações assim porque completas.. Enfim, como são únicas as coisas mais prazerosas da vida, não? Como elas pululam de livros escritos que nos caem nas mãos, de livros que escreveríamos se o verbo e a emoção se nos parissem férteis igualmente, de páginas que escrevemos diariamente sem notar, de músicas, de sonhos, de histórias alheias, alinhavos pré-pós-definitivos.. e avessos. Tudo nos ensina, como ensinam!
Vinícius de Morais escreveu um lindo poema com o título de “Resta“ que me coincide partilhar.. Já idoso e tendo andado demais pelo mundo, Vinícius olhou para trás e vendo o que restou, o que valeu à pena suspirar, caneteou assim: “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas. Resta essa capacidade de ternura. Resta esse antigo respeito pela noite. Resta essa vontade de chorar diante da beleza"...
Vinícius foi, assim, contando vivências que lhe deram alegria porque foram elas que restaram, e talvez nos reste perceber quão sábio foi o “Poetinha” ao compreender e ler a vida nas suas próprias entrelinhas, valorizando pequenas coisas das nossas também, as mais simples...
Mas e você? Será que independente do seu grau de conhecimento consegue desenvolver HUMILDADE que valha e conquistar SABEDORIA suficiente para fazer leituras necessárias à sua volta, buscando, encontrando.. alguma vida melhor?
Um homem estava sendo perseguido por vários malfeitores que queriam matá-lo. Correndo, virou num atalho que saía da estrada e entrava pelo meio do mato.. No desespero, elevou uma oração à Deus da seguinte maneira: "Deus todo poderoso, fazei com que dois anjos venham do céu e tapem a entrada da trilha para que os bandidos não me matem."
Nesse momento escutou os homens se aproximando de onde ele se escondia.. e viu que na entrada da trilha aparecera uma minúscula aranha, começando a tecer sua teia. O homem se pôs a fazer outra oração, cada vez mais angustiado: "Senhor, eu vos pedi anjos, não uma aranha. Senhor, por favor, com tua mão poderosa coloca um muro forte na entrada desta trilha, para que os homens não possam entrar e me matar."
Então, ele abriu seus olhos esperando ver um muro tapar a entrada, mas viu apenas a aranha tecendo sua teia. Os malfeitores se aproximavam da trilha, na qual ele se encontrava cansado e já adivinhando a própria morte.
Quando seus perseguidores chegaram, o homem escutou:
- Vamos entrar aqui? - disse um.
- Não, claro que não... - respondeu o outro - Não estás vendo que tem até teia de aranha? Nada entrou por aí. Vamos continuar procurando nas próximas trilhas.
"Qualquer um pode contar as sementes em uma maçã, mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente."
( Robert H. Schuller )
Postado por Leila às 00:17 |